Precisamos falar sobre a diretoria do SPFC.

Após anos de crise política, conflitos de interesse e até imprudência administrativa ao utilizar o nome da instituição para fins ilícitos, a paz parece finalmente ter pairado sobre Morumbi. Nós, a torcida, que nos víamos completamente ilhados em meio à catástrofe que se encaminhava a política tricolor, hoje podemos respirar tranquilos e esperançosos.

O cenário que possuímos hoje no clube é bem diferente, em todos os aspectos, dos vividos desde o ano de 2009 até o final de 2017. Quase uma década de péssimas campanhas, péssimos elencos, escândalos, vexames, e somente um título conquistado: A Copa Sul-Americana de 2012.

Após o conturbado terceiro mandato de Juvenal Juvêncio, e horroroso meio mandato de Carlos Miguel Aidar, que resultou em seu impeatchment, Leco surgiu como uma esperança. Anos de trabalho no clube, e carisma com os torcedores, levaram-no de um presidente provisório, à um presidente eleito pelo conselho deliberativo do clube.

Foto: Jovem Pan

Carisma essa, que foi para o lixo meses depois, Após contratar o Ídolo Rogério Ceni para a função de treinador e demiti-lo com menos de 6 meses de trabalho.

Dali para frente, Leco se mostrou um perfeito déspota. Sumiu das redes sociais, e a equipe, até então comandada por Dorival Jr, sofria horrores dentro de campo. Sequer a contratação de Hernanes (que nos livrou do rebaixamento) por empréstimo, foi capaz de melhorar a imagem do presidente.

Tudo mudou em 2018.

Raí, Lugano, e Ricardo Rocha foram integrados à diretoria. Para muitos, apenas uma maneira de Leco continuar se escondendo e queimar mais ídolos.

Foto: Rubens Chiri

Na prática, uma excelente tacada, pois este ato, esta decisão, culminou em todo o sucesso que temos até aqui.

Após maus resultados no Campeonato Paulista, a diretoria decide trocar a comissão técnica e alguns treinadores surgiram como favoritos ao cargo.

Sem muito tardar, Diego Aguirre foi o escolhido, e há muitas razões para isso:

Aguirre foi jogador do São Paulo no início dos anos 90, atuando justamente com Raí e Ricardo Rocha. Além disso, é conterrâneo de Diego Lugano. Não havia como dar errado!

Foto: Rubens Chiri

Jogo após jogo, a equipe foi tomando forma. Muito por conta da ajuda do agora auxiliar André Jardine, que trabalhou toda a parte de integração do elenco com o novo treinador.

Hoje, o São Paulo detém não só a melhor campanha do atual campeonato brasileiro até aqui, como a melhor campanha na competição em toda a sua história, superando inclusive os anos do tricampeonato seguido!

Mais líderes do que nunca, podemos finalmente sonhar com a conquista de um título de peso.

A volta do Tricolor Paulista para as cabeças do cenário desportivo nacional.

Foto: Rubens Chiri

Eliminados! E agora?

O São Paulo foi eliminado da Copa Conmebol Sul-Americana, na noite desta quinta-feira, pelo modesto clube argentino Colón de Santa Fé.

Após o revés por 0-1 no Morumbi, o tricolor foi à Argentina sem muita pretensão.

A equipe comandada por Diego Aguirre foi à campo escalada com um time misto, tendo como novidade as presenças do goleiro Jean, autor de uma bela partida; Araruna pela lateral direita; Lucas Fernandes para a vaga de Everton; e no ataque Gonzalo Carnero.

Na partida que mais parecia uma reprise do jogo de ida, dessa vez o tricolor saiu vencedor, com um belíssimo gol de Liziero. No entanto não foi o suficiente, e novamente fomos eliminados de uma competição em mata-mata nas penalidades máximas.

Fracasso à parte, temos, agora, um caminho livre para despontarmos mais ainda como líderes do campeonato brasileiro.

O vice líder, Flamengo, ainda disputará as semifinais da Copa do Brasil contra o Corinthians e pelo menos mais uma partida da Conmebol Libertadores Bridgestone, diante do Cruzeiro, no Mineirão.

Um calendário duro, que pode nos ser muito favorável.

Em entrevista recente à um jornal uruguaio, Aguirre salientou que a meta da diretoria é o título nacional, e agora, temos um caminho livre para isso.

Há males que vêm para o bem. Se tivéssemos passado, disputaríamos duas partidas contra o Júnior Barranquilla, da Colômbia, ainda pelas oitavas de final da competição, causando um desgaste muito grande na equipe.

Infelizmente não temos um elenco tão completo a ponto de disputar mais de uma competição com total eficiência. Talvez estarmos vivos apenas no Campeonato Brasileiro, cujo não vencemos há quase uma década, tenha sido a melhor coisa que nos tenha acontecido neste momento…

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Foto: Pato Aguilera